Monday, January 17, 2011

Carta da primeira suicida


Filho você veio um dia,
e chegou para me perguntar,
Dos amores que a vida trazia,
quais deles seu pai teria
evitado amarrado ao nosso casar?

e quanto seria feliz, se o mundo pudesse provar!
e quão pouco teria vivido para comigo pra sempre estar!

Mas meu filho o que você não via,
e ninguém mais podia enxergar
É que enquanto eu calava e fingia,
eu sonhava distante com um outro olhar.

Mas meu filho, o que você sabia,
era tudo que podia entender.
É que mesmo quieta eu podia
ter amado e vivido bem mais que você.

É que mesmo quieta eu queria
ter amado, e beijado, e sido
bem mais que você...

É que mesmo na lida do dia eu sonhava
com tudo que podia ser.

2 comments:

anapaulañbandi said...

Quase chorei com o texto! Acabo de conhecer teu Blog e gostei muito. também sou artista plástica, acho que entrarei aqui sempre. Tudo de bom pra você!

Davi said...

Massa! Sabe que tbm sou seu fã, neh?! =D